Segunda-feira, Fevereiro 04, 2008

blog-história relançado

Os posts-história de índia iratembé lançados no site "O Descobrimento" em 2005 estão sendo repostados no blog de origem e a história desta vez terá um fim.

Quinta-feira, Janeiro 03, 2008

sorry, we're closed now



Agora em O Descobrimento.

falando sobre o fim

Não foi antes sem pensar, mas depois de um ano que praticamente isto ficou às moscas esta talvez seja a melhor atitude. Podem ler meus pensamentos, podem saborear algumas das minhas não acabadas histórias, mas eu... este... fica fechado (não apagado). Se um dia eu volto aqui? Não sei, mas ultimamente não vejo mais quem chega até aqui, nem eu mesma. São cinco anos, isto mesmo, cinco anos. Primeiramente no Blogger Brasil (já apagado, se bem que alguns posts estão aqui) e, depois, aqui.

Um outro blog, talvez... a de se pensar... por enquanto estou no mundafora, mas esse... ainda não sei o que fazer com ele. Sobre este, tava ficando triste e soturno demais, porque ele foi criado para ser isto, mas de repente, já não quero falar apenas de tristeza e melancolia. De repente, me bateu uma vontade louca de deixar de escrever na blogsfera, poucos amigos meus já me lêem.

Àqueles amigos que eu fiz aqui, ou no blogger.com.br, que era onde ele estava, mando meus beijos e certamente a de me contactar por email, orkut, msn. Àqueles que porventura cheguem aqui e ainda queiram falar comigo, mande um recado por email, dulcinea@gmail.com, eu demoro um pouquinho, mas acabo por responder.

Um abraço apertado a todos,

Segunda-feira, Dezembro 31, 2007

13. o que?

Seele aguarda calmamente com os olhos enfiados num livro. O espaço empoeirado estava vazio. O último cliente que viera comprar jornal saiu há vinte minutos e quase podia imaginar que mais nenhum entraria, pelo menos com a intenção verdadeira de ler apenas jornais. Aquela livraria especializada em papéis vagos, era pano de fundo para encontrar livros que mais ninguém tinha. Livros originais, escritos pelos autores originais, não colagens de trechos assinadas por um copi que se dizia dono daquele trecho com aval de seguidores que espalhavam a sua “autoria”. O que isso tinha de rebelde? Para ela, nada. “A rebeldia era esclarecer o conhecimento quando ele já não pertencia a ninguém”, dizia Edgar; e Edgar sumiu sem dizer para onde.

Enquanto mergulhada em pensamentos e olhos enfiados nos sonhos estava, alguém observava por entre os vidros velhos embaciados, mas Seele não percebeu nada além dum pequeno sentimento que contraía o coração na esperança que Edgar aparecesse e lhe dissesse o que fazer. Em vez disso, abriu a livraria como de costume a fim que cada novo encontro pudesse arrancar algo do único encontro que não podia almejar.

“Ele comprou dois livros tão não-importante que este fato em si era de se estranhar”. Talvez a compra não estava relacionado com o desaparecimento em si, mas ela não conseguia chegar a esta conclusão, pelo menos não ainda. Antes ficava ali parada a espera que a coisa se solucionasse e ele lhe dissesse o que fazer. Era ele o esperto, ela só conseguia ler o que nas linhas estava, simples era. “E o clube? O que aconteceria ao clube agora que ele não mais o controlava”. Teve arrepios. Sabia que a outra parte era incapaz de controlar – e mesmo incitaria – o grupo. As ideias de libertação seriam recolocadas, seríamos descolonizados a força. Seele treme só de pensar na possibilidade, porque neste momento muitas coisas mudarão, e apesar do desejo de aventura dentro dela, não sabia exatamente se a mudança seria boa ou má.

Tão compenetrada estava nas suas ideias que não reparou no homem que tinha entrado na loja e olhava com atenção a ela. Também não reparou ele se aproximando. Só deu pelo encontro quando esbarrou com os mesmos olhos que tinha visto no mercado na noite anterior.

Sexta-feira, Dezembro 14, 2007

12. o que?

O chefe de Alexandre, um homem de idade indefinida apesar dos cabelos a rarearem, informou-o sobre o desaparecimento dum estudioso. Aproveitou, em seu tom de voz calmo e seco, para dizer que o contacto que J. tinha dado provavelmente o levasse aos criminosos. A história parecia simples: pesquisador de línguas é morto por elemento que frequentava o grupo. Alexandre aproveitou para perguntar ao seu chefe o último local onde a cidade vira o homem. Entretanto, soube perplexo que estas informações não estavam disponíveis. De cara, achou muito estranho o comunicado dum desaparecimento. Com todos conectados com a cidade, a probabilidade disto acontecer era de tal modo impossível que somente aconteceria se alguém escolhesse viver na clandestinidade, o que não fazia sentido nenhum, ainda mais a um pesquisador, elemento vital à cidade.

“Aproveite o contacto que J. deu”, “Mas e esta história de levante que o J. disse, não faz sentido algum. Foram eles que escolheram a nossa intromissão nesta cidade. Estamos aqui para lhe dar segurança”. “Este desaparecimento e o levante parecem estar conectados, ou não, mas você sabe a língua deles e J. não, então você assume o caso, estamos entendidos.”

Em vez de vigiar os muros, como tinha sido programado para aquela manhã, dirigiu-se a estação das cobras, a última do círculo central do eixo noroeste-sudeste. Ali não deixou de se encantar com o prédio baixo, mas ultramoderno que o lembrou a sua própria cidade. Estava cansado da vida, do lugar e de sua monotonia quando viu um anúncio recrutando pessoas para introduzir um novo estilo de vida àquela concessão. Ansioso por um novo trabalho e uma nova terra para explorar candidatou-se a tarefa. Foi logo chamado já que tinha ao seu favor, pelo menos naquele momento, o fato de falar a língua antiga, mas isso mostrou-se desnecessário porque ele nunca a falava na totalidade, apenas se precisasse entrar no mercado, mas não gostava de estar com aquelas pessoas. Fazia dez anos que ali morava. Porém, ultimamente sentia uma necessidade grande de ter a sua própria terra, como se aquela, já tendo pertencido a outra gente, não pudesse ser sua.

No buraco do metro, pessoas entrando a la executivos de sucesso. Nenhum mal-estar, nenhum mau elemento ali se encontrava. Só pessoas se dirigindo para o trabalho. Se fechasse os olhos e se lembrasse, veria que nada ali se diferenciava da sua própria terra e se sentiria bem. Entretanto, desagradava-lhe o fato de entrar no único recanto que ainda o fazia lembrar que aquele não era seu lugar. Antes ficasse aguardando a passagem daqueles que moravam fora dos muros, dos desprestigiados que não tinham lugar para ficar ali na cidade e tinham que subir morro acima.
Entra no vagão, pessoas lêem, outras pensam e outras observam a inexistência de paisagem lá fora. Ele, ele olha as pessoas. Pessoas como ele e que se transformaram quase num deles.

O metro chega a estação oceanus, Alexandre observa as cameras escondidas pelo vagão, e imperceptivelmente empina o peito. Lembra o encontro de ontem, tenta adivinhar porque pessoas insistiam a falar numa língua que não existia, numa teimosia sufocante, quando tudo estava disponível ao teclar dos dedos. Continua a sua observância, mas não das pessoas, mas do caso. Professor de renome desaparece, como se fosse possível passar com um chip por receptores e não ser identificado e visto, mas ele conseguiu isso. Por que queria ou foi forçado a isso? Era isso que queria saber e foi pensando nisso que ele chegou a estação do mosteiro onde um grande grupo de passageiros desceu. Encosta-se na porta e vai relembrando todos os acontecimentos da noite anterior. Tenta lembrar o rosto da jovem, mas não consegue. Nada nela lembrava coisa alguma, suscitava qualquer emoção, com exceção daqueles fios de cabelos que caíam na testa. De resto, de nada se lembrava.

Desce a estação do corredor cultural e vira numa pequena rua a esquerda, beirando mais prédios antigos, mas estes conservados. Caminha pelas ruas estreitas coberta da mistura de prédios de diferentes tempos e estilos e grandes lojas comerciais frequentadas pelos mais cools. Entra numa pequena travessa a direita, em direção a livraria indicada no dia anterior.